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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Paraíba sedia programas para conservação de espécies marinhas ameaçadas e de mapeamento do fundo oceânico

Pesquisadores esperam mapear em dois anos todas as formações recifais que estão na faixa litorânea entre Cabedelo e João Pessoa


O Estado da Paraíba ganhou dois novos projetos que possibilitarão a conservação de espécies marinhas ameaçadas de extinção e a ampliação e mapeamento de 100 mil hectares do fundo oceânico que ajudarão no monitoramento das Áreas Protegidas no litoral paraibano. Os projetos, que fazem parte do Programa Extremo Oriental das Américas (PEOA), objetiva fomentar a relação entre o conhecimento científico e a formulação de políticas públicas conservacionistas em escala regional.

Liderados por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, os projetos são financiados principalmente pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e contam com o apoio administrativo do CEPAN (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste) e logístico da Mar Aberto Dive Center.

Segundo Orione Álvares da Silva, analista ambiental do ICMBio e um dos coordenadores,“o PEOA está orientado para a geração de conhecimento científico diretamente aplicado à conservação, onde são observados os marcos legais já existentes, como as Metas de Aichi e o Decreto do Governo da Paraíba, que prevê a ampliação de áreas marinhas protegidas (nº 35.750/2015).

Já o Prof. Bráulio Santos, do Departamento de Sistemática e Ecologia da UFPB, também coordenador do PEOA, acredita que “sem conhecimento técnico-científico sólido e atualizado, é pouco provável que nossas ações de conservação sejam efetivas e cumpram sua função socioeconômica”.

Tubarão-Lixa
O Projeto de Conservação do Tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum), na costa da Paraíba, que tem como responsável técnico o Prof. Ricardo Rosa da UFPB, está realizando o monitoramento do tubarão-lixa, espécie ameaçada de extinção, em três naufrágios e três recifes naturais. Todos os tubarões encontrados são identificados individualmente através de fotografias subaquáticas e marcas naturais, o que permitirá saber por onde eles se deslocam, seus locais de descanso e alimentação, sua quantidade e sexo. Com base nesses resultados, pretende­-se elaborar recomendações de conservação do tubarão-­lixa, que sigam as ações do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Elasmobrânquios Marinhos (PAN­Tubarões).

Outro aspecto importante do Projeto é a participação de pescadores artesanais e praticantes do mergulho recreativo no processo de construção do conhecimento, incluindo-os em um programa de cidadão cientista, que objetiva a popularização da ciência.

Fundo Oceânico
O Projeto Caracterização de Ecossistemas Recifais Mesofóticos, está realizando o mapeamento de ecossistemas recifais de até 90 m de profundidade, pouco conhecidos pela ciência, utilizando equipamentos (sonares) de última geração, capazes de gerar imagens 3D com qualidade e realismo. A área mapeada pelo projeto poderá superar a 100 mil hectares e será útil para subsidiar a criação de unidades de conservação na costa da Paraíba. Este trabalho conta com a colaboração do Programa de pós-graduação em Geodinâmica e Geofísica da UFRN e do Programa de pós-graduação em Oceanografia da UFPE.

Além disso, a fauna marinha está sendo registrada por um ROV (Veiculo Operado Remotamente) capaz de gerar imagens ao vivo e em alta resolução dos seres vivos e do fundo do mar em profundidades de até 100 metros. Com isso, os pesquisadores esperam mapear em dois anos todas as formações recifais que estão na faixa litorânea entre Cabedelo e João Pessoa.

Fonte: EcoDebate

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