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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Brasil pode ser a última democracia a organizar uma Copa do Mundo

O receio de enfrentar movimentos de contestação de massa, como os que aconteceram no Brasil em 2013-2014, é uma das razões da falta de interesse de muitos países na realização dos próximos Mundiais. REUTERS/Ricardo Moraes


Uma polêmica questão foi lançada pelo jornal esportivo francês L’Equipe e ecoou na imprensa do país: seria o Brasil a última democracia a organizar uma Copa do Mundo? A preferência da Fifa por democracias mais frágeis para organizar os mundiais de futebol é cada vez mais evidente.

O próprio secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, declarou que a organização da Copa do Mundo de 2018 na Rússia será mais simples do que no Brasil porque, segundo suas próprias palavras, o presidente russo Vladimir Putin é um chefe de Estado “forte”. Dificuldades também não devem ser encontradas na realização do Mundial de 2022, no Catar, uma rica e conservadora monarquia célebre por suas restrições à liberdade de expressão.

Os altos custos das obras, o não-aproveitamento das mesmas após o término dos eventos esportivos e o temor de movimentos de contestação de massa como os que aconteceram no Brasil são algumas das razões que influenciam a falta de interesse de muitos países na realização de Copas do Mundo ou até mesmo dos Jogos Olímpicos. Um exemplo é a desistência das candidaturas da Alemanha, da Suíça ou da Suécia para as Olimpíadas de inverno de 2022 – uma disputa deve ficar entre Cazaquistão e China.

Segundo o editor da Revista Placar, Marcos Sergio Silva, desde a Copa do Mundo de 2002, realizada na Coréia do Sul e no Japão, o padrão da exigência em relação às obras para o evento subiu muito. “Antes as reformas dos estádios eram mais modestas e não havia uma construção de arenas de grande porte para o Mundial”, lembra.

Para ele, não há dúvidas que os governos das próximas sedes da Copa facilitam estas demandas extremas da Fifa, intensamente contestadas no último ano na onda de protestos que sacodiu o Brasil. “Eles não imaginavam que no Brasil já houvesse uma democracia quase madura, com instituições, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas que impedem abusos absurdos”, acrescenta, lembrando que irregularidades menores acabam sempre acontecendo.

Prioridade a regimes autoritários

É em busca desta condescendência que a Fifa se volta às democracias frágeis ou regimes mais autoritários. “Embora eles criem esta aparência de ordem e coerência, eles escondem os custos, fecham as portas para debates sobre o impacto das medidas que eles tomam”, analisa o professor de História do Brasil da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, Jerry Dávila.

Essa preferência cada vez mais explícita leva em conta também países onde as populações não contam com mecanismos efetivos de expressão, avalia o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), Euclides Couto. “A parceria com os governos para a organização dos Mundiais é facilitada quando os cidadãos não têm o poder barrar certos interesses da Fifa”, diz.

Fifa não contava com protestos no Brasil

Couto acredita que a Fifa foi surpreendida pela onda de protestos de 2013-2014 no Brasil. Ele lembra que quando o país se apresentou como candidato a realizar a Copa do Mundo havia um grande apelo internacional e interno para que o país sediasse o evento. “Havia quase uma unanimidade em relação a esta questão. Então, naquela época, seria impossível prever esse imenso movimento contra o Mundial”, acrescenta.

No entanto, para o professor, esses dois últimos anos foram fundamentais para a politização da sociedade brasileira. “Nunca houve uma Copa do mundo tão politizada. As manifestações incorporaram e trouxeram o tema futebol e o padrão Fifa como conteúdo político para se discutir os problemas brasileiros”, conclui.

Fonte: EcoDebate

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